A saída dos jovens do campo e o velho sonho de uma vida melhor na cidade


Registramos no Brasil a saída de mais de 27 milhões de brasileiros do Campo no período que se refere aos anos de 1960 a 1980. Naquela época o fluxo migratório era crescente e preocupante, a taxa de urbanização do país não era acompanhada pelo planejamento das cidades que tinham suas populações aumentadas drasticamente todos os anos, principalmente no que se refere aos grandes centros urbanos que atraíam muitos jovens em busca de oportunidades, de uma nova vida.


No período mencionado, a mecanização do campo foi a responsável por grande parcela do êxodo rural, outros fatores se somaram para fazer com que as pessoas deixassem o campo, como a falta de políticas públicas voltadas a essa população em diversos setores da vida humana e  o sonho propagado na televisão da cidade como sinônimo de progresso e o campo como sinônimo de atraso.

População, residente, por situação de domicílio - Brasil - 2010

Atualmente, conforme o censo de 2010, a última década apresentou redução nos índices referentes ao êxodo rural. No entanto, isso não significa que ele deixou de ocorrer em todas as regiões do país, no sul do Brasil, por exemplo, mais de 650 mil brasileiros deixaram o campo na última década e o país como um todo somou mais de 84% da população vivendo nas cidades.

Número de municípios nos Censos Demográficos, segundo as Grandes Regiões e as Unidades da Federação - 1960/2010.

Mesmo com um ritmo menor o êxodo rural ainda existe, a falta de perspectiva no campo faz com que muitas pessoas, principalmente os jovens partam para a cidade, muitos deles acabam no emprego informal ou são assimilados nos setores que possuem a pior remuneração. 

Em uma perspectiva ainda mais desoladora, muitos jovens deixam o campo acompanhados de filhos ou irmãos em idade escolar, fazendo com que as crianças não tenham o atendimento adequado na educação e às vezes os pequenos passam em um mesmo ano por várias escolas enquanto os jovem tentam se adequar à vida urbana.

A falta de políticas públicas voltadas ao campo ainda continua sendo um dos principais motivos da migração de jovens para a cidade. O jovem foi afetado pela cultura consumista dos centros urbanos e pelo impacto da comunicação, ele quer estar próximo às lojas, falar ao telefone celular e acessar a Internet, quer espaços para se divertir, alternativas esportivas e culturais. No campo não há nada disso.

Em muitas comunidades rurais a única presença do Estado é confirmada pela escola, não há posto policial ou posto de saúde, não raro encontramos o único espaço de lazer e de socialização agregados em poucos metros quadrados, somando a escola, a igreja local e o pavilhão construído pela comunidade para eventos locais.

Em entrevista dada ao Observatório Jovem, a professora Elisa Guaraná relatou que a participação dos jovens em movimentos sociais no campo vem aumentando. Muitos desses jovens são da geração que viu a ampliação da educação básica aos povos do campo e possuí escolaridade muito superior aos dos pais. No entanto, a escola em si só não dá conta de criar um ambiente favorável para que o jovem permaneça no campo, muitas vezes esse é o desejo da maioria, porém a dificuldade financeira e o sonho de consumo acabam levando  grande parte deles para a cidade.

A sedução imposta pela vida urbana aos jovens do campo é evidente,  pois acreditam estar muito familiarizados com a vida na cidade, no seu modo de vestir, de falar e nos objetos que portam, tal ilusão é fruto da grande mídia que retrata a cidade como lugar de felicidade relegando ao campo poucas aparições, na maioria delas sob uma visão romantizada da vida rural. O jovem do campo vê, ouve e fala como um habitante da cidade, no entanto, desconhece a verdadeira realidade excludente do mundo urbano.

Alguns jovens conseguem se manter no campo até a conclusão do Ensino Médio, depois abandonam seus locais de origem para continuar os estudos, há em muitos deles como já afirmado a vontade de ficar no campo, no entanto, o desejo de cursar uma faculdade é maior, alguns encontram uma alternativa nos cursos superiores à distância, os populares EAD, no entanto, até mesmo para esses cursos a dificuldade do jovem no campo é grande devido à falta de acesso à Internet.

A saída dessa população do campo acarreta prejuízos econômicos e prejudica o desenvolvimento humano da sociedade como um todo, pois o jovem saí das pequenas propriedades deixando muitas vezes os país sem poder continuar com a produção agrícola, alguns país acabam vendendo a propriedade pela impossibilidade de continuar a administra-la, essas propriedades são adquiridas por grandes proprietários que em sua maioria não produzem a comida que alimenta o brasileiro dedicando-se a monocultura para exportação como a soja ou ao plantio de pínus, por exemplo.

Para concluir podemos dizer que o jovem do campo sabe da importância que o meio rural tem na sociedade, no entanto, a falta de perspectiva e de politicas públicas falam mais alto fazendo com que muito abracem o velho sonho de uma vida melhor na cidade.

Fontes de leitura para elaboração do texto:

http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=8
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/rev_inf/vol15_n2_1998/vol15_n2_1998_4artigo_45_65.pdf
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/04/29/exodo-rural-cai-pela-metade-em-uma-decada-diz-ibge.htm
http://www.uff.br/observatoriojovem/materia/juventude-rural-entre-ficar-e-sair
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2011/09/por-falta-de-jovens-produtores-rurais-temem-futuro-da-agricultura-familiar
http://www.mst.org.br/Falta-de-estrutura-e-possibilidade-faz-com-que-jovens-abandonem-o-campo
http://7a12.ibge.gov.br/vamos-conhecer-o-brasil/nosso-povo/caracteristicas-da-populacao

Nenhum comentário:

Postar um comentário