O triunfo do individualismo: uma sociedade sem Estado


A maioria dos chamados Estados democráticos de direito possui na Lei Maior dispositivo legal que prevê o combate à pobreza e a desigualdade social. O Brasil é um desses países que na medida do possivel tenta respeitar os direitos civis, políticos e sociais. No entanto, como percebemos aí fora, muitas pessoas não entendem que em um país com grande histórico de desigualdades, a diminuição  dessas diferenças implica em um retorno menor individualmente dos impostos pagos, pois eles se diluem entre toda a sociedade e ainda por cima perdem parte de sua destinação devido à corrupção.

No Estado democrático de direito muita gente lembra acima de tudo dos direitos civis e políticos, exaltando o direito à propriedade privada e à meritocracia. Negligenciamos os direitos sociais e a grande massa de pessoas que dependem exclusivamente do Estado para não serem esmagadas na base da pirâmide socioeconômica. Quando penso no Pacto social preconizado por Rousseau não consigo de deixar de lembrar também de Hobbes e as vezes penso mesmo que a sociedade se organizou politicamente por medo e por egoismo. Quando não temos nosso quinhão de investimento retribuídos diretamente nos revoltamos contra o Estado, esquencendo que fazemos parte dele e não viveríamos em completo isolamento. Não há espaço no mundo para a vida fora do Estado.

No século XIX já se apontava o Estado como mediador no conflito entre classes. Muitos juristas incorporaram esse discurso de forma positiva e colocaram o Estado com atenuador e redutor das diferenças sociais.

Ainda não conseguimos pensar e colocar em prática uma revolução que construa uma sociedade na qual não haja diferenças sociais. No entanto, podemos ter certeza que a sociedade sem a presença de um Estado soberano será o local da extrema desigualdade e nela prevalecerá a lei do mais forte.

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