Karl Marx e o dinheiro - terça para pensar

“Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim, todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça.”
(Karl Marx)

Devo confessar que foi Marx o culpado por plantar em minha mente a semente da insatisfação, da incredulidade com o andar da sociedade, no materialismo de Marx encontrei uma explicação, incompleta eu sei, mas foi a única que ainda apresentava alguma robustez.

Assumo também que essa aproximação com o marxismo me causou alguns problemas com os aparelhos de coerção da sociedade, inadvertido e interpretando mal as palavras desse alemão do século XIX, o meu espírito jovial e revolucionário partiu para a ação certo da vitória. No entanto, logo no primeiro combate percebi a grandeza da superestrutura, ela me envolveu, confundiu, fui espancado pelas palavras, reprimido por necessidades que eu sabia não ter, mas o velho Marx havia dito e eu não ouvi que dentro do capitalismo o dinheiro é a essência do trabalho e foi pelo dinheiro, ou melhor, a falta dele que eu sucumbi, me ajustei, entrei na linha.

Hoje não vou com tanta cede ao pote, nem acredito que posso dar uma rasteira em todos os aparelhos ideológicos, mas posso dizer com toda certeza que para alguma coisa os escritos de Marx me serviram, aguçou em mim uma desconfiança nata contra os bajuladores e o intelectualismo petrificado das universidades, além de aumentar o desprezo que eu já compartilhava pelas classes que tem, mas não são.

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