Pedro Abelardo e a filosofia do Sic et Non

Relembremos que Pedro Abelardo, filósofo francês nascido em Le Pallet (1079-1142) deu grande ênfase à questão dos universais, oferecendo como solução para o problema uma doutrina da boa intenção em uma relação de linguagem e dialética evidenciada em sua obra Sic et non.

Na introdução do Sic et non de Pedro Abelardo, há uma exposição quanto à forma que falamos, nos comunicamos e sua relação com a verdade.

Nesse texto, Abelardo defende a utilização de uma oratória e linguagem adequadas ao público que se dirige a informação. Nesse sentido a linguagem “polida” é deixada de lado dando lugar à linguagem prática, usual, pois, nas próprias palavras de Abelardo, “devido a diversidade daquele que falamos, as palavras devem ser modificadas, pois sucede com freqüência que o significado próprio das palavras é desconhecido para alguns ou pouco usado por eles” (p.117). Em outras palavras, deve-se atribuir às palavras o sentido que lhes é dado pelo ouvinte para melhor compreensão do que se pretende falar, ao invés de atribuir a real significação das palavras que, para muitos é desconhecida.

É diante dessa colocação que Abelardo vai construir seu texto, pois segundo este Autor, muitas coisas foram escritas por doutores e santos da Igreja mais em conformidade com o popular do que em conformidade com a verdade, assim nenhum mortal está isento de erros advindos pela linguagem e, como exemplifica o Autor nem mesmo a Bíblia , pois ao ser traduzida foi corrompida por um erro gramatical ou por uma adequação popular que parecia mais plausível.

Nesse sentido Abelardo não isenta nem os santos, apóstolos e doutores da Igreja de tais erros advindo da linguagem e acrescenta que muitos acréscimos feitos em diversas cartas e obras foram no sentido de melhor esclarecer e simplificar a interpretação . Segundo Abelardo, nesses casos não em que se falar em mentira ou simulação, pois tomando a interpretação de Santo Agostinho quanto à mentira, não houve a intenção de enganar e tudo que foi feito no sentido de aproximar os textos de Deus não pode ser tomado como pecado, mesmo às vezes se distanciando da verdade.

Em alguns casos, como explica Abelardo, alguns autores acrescentaram em seus textos opiniões de terceiros, às vezes contraditórias às suas e não chegando a uma opinião conclusiva quanto à verdade dos fatos, deixaram a interpretação por conta do leitor.

É nesse sentido que Abelardo constrói sua obra, reunindo teses opostas ou como ele mesmo diz, “sentenças divergentes dos santos padres” para que o leitor faça uma análise e encontre onde está a verdade. Lembremos que para Abelardo esse método reforça sua afirmação no campo ético onde a moralidade de uma ação não depende do objeto e sim da intenção. Novamente evidenciamos que para o Autor, mesmo se tratando de teses opostas não há que se falar em mentira ou simulação, pois a intenção dos autores foi de a aproximar o leitor da verdade e nesse sentido também de Deus, mesmo que às vezes o resultado tenha sido o contrário do esperado.

3 comentários:

Colecionadora de Silêncios disse...

Oi, Célio.

Que texto ótimo esse. Adorei!
Interessante, pq eu sempre defendi que a lígua, assim como a linguagem no geral, deve se adequar no momento da interação linguística.

Temos que saber usar a linguagem formal quando necessário, mas, tb, saber quando falar de maneira informal, pois cada uma delas tem o seu lugar no processo de interação.

Gostei!
Beijos

marcio paulo machado dos santos disse...

excelentes links e um otimo post

Celeste Farias disse...

Parabéns pelo texto. Gostei demais.

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