A história do amor no ocidente

Pintura a óleo de 1870 por Ford Madox Brown retratando a famosa cena do terraço de Romeu e Julieta.


Pathos - Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento.

Vem chegando o do Dia dos Namorados e ao ler o livro de Denis de Rougemon, O Amor e o ocidente, que fala da história do amor, em grande parte tive que concordar com o Autor. Não amamos porque buscamos felicidade e paz, amamos por que gostamos de sofrer, a própria definição do termo paixão em grego,  citado logo acima, nos mostra isso, ela tem o significado de sofrimento.

Tristão e Isolda com a poção mágica, por John William Waterhouse (c. 1916).
Porém como pode a sociedade ocidental buscar seu autoflagelo? Se fizéssemos uma pesquisa sobre o amor, poucas pessoas diriam que buscam se apaixonar para sofrer, muito pelo contrário, a maioria diria que está em busca da felicidade.

Porém paz e felicidade no amor é algo estático e o mundo é movimento, emoção, risco, sofrimento, uma eterna reviravolta em que o homem muito se identifica mesmo negando, essa contradição é evidente em nossa literatura, quais os romances mais famosos que conhecemos se não aqueles que terminam em tragédia ou envolvem adultério, pois esses elementos mostram aquilo que realmente almejamos, sair das amarras do casamento, dos relacionamentos baseados na conveniência e na obrigação. Tudo isso se reflete nos romances, nas palavras de Rougemon: "sem o adultério, que seria de todas as nossas literaturas?[...]".
Ilustração de Capitu, personagem do romance "Dom Casmurro" de Machado de Assis.

O ser humano não é constante, estável, os desejos dominam a maioria das pessoas que se mostram inconfortáveis diante qualquer tipo de monotonia:

"[...] Malcasados, frustrados, revoltados, apaixonados ou cínicos, infiéis ou traídos, na realidade ou em sonho, no remorso ou no temor, no prazer da revolta ou na ansiedade da tentação, seja como for, há poucos homens que não se enquadrariam em pelo menos um desses casos[...]".

No entanto essa provável vontade de sofrer não explica o adultério no amor ocidental, como a mariposa que se dirige cegamente para a luz o homem busca o amor, idealizado pelos românticos, o amor segue na mentalidade coletiva como um paradigma, um horizonte a ser seguido, o amor é o pote de ouro no final do arco-íris, o tesouro no outro lado da montanha, em síntese, a felicidade.

De acordo com Rougemon esse ideal romântico "[...]vive da própria vida dos que acreditam que o amor é um destino [...]que ele fulmina o homem impotente e maravilhado para consumi-lo num fogo puro; e que ele é mais forte e verdadeiro que a felicidade, a sociedade e a moral.".

Nesse sentido, buscamos conscientemente a felicidade, mas o nosso contentamento não está nela e nessa forma idealizada de amor, está na busca, nesse movimento incessante, no devir, nas paixões e, por mais contraditório que possa ser, no sofrimento.


Referências e fontes:

Rougemont, Denis de. O amor e o Ocidente. Trad. Paulo Brandi e Ethel Brandi
Cachapuz. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

Imagens - Wikipedia.org

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