A imortalidade da alma

"Embora os homens não o percebam, é possível que todos os que se dedicam
verdadeiramente à Filosofia, a nada mais aspirem do que a morrer e estarem mortos."
(Platão)

Eu queria me empolgar menos com as coisas que aprendo a cada dia, mas isso é uma tarefa nada fácil e nem sei se ela é válida.

Há algum tempo tenho lido Fédon, um dos diálogos de Platão (tem link aqui no blog) e não pude deixar de relacionar a ideia de alma apresentada no texto com a concepção que as pessoas tem sobre tal assunto, isso se elas as têm, digo isso porque por muito tempo também me deixei levar pelas palavras sem saber realmente o que elas significavam tanto para mim quanto para os outros. Falava em alma com uma banalidade que deixaria qualquer filósofo doido.

A filosofia mudou meu ponto de vista, criei um novo conceito de alma e nele o manto do sobrenatural se descortinou e eu me descobri platônico até então, mais por empolgação do que por conhecimento.

A citação com que inicio esse pequeno texto é um fragmento de Fédon e pode soar absurdo para as pessoas que partilham a ideia da vida ser um bem muito maior do que a morte, no entanto, se pararmos para pensar, a vida é um bem que nunca possuímos e que um dia nos será retirado.

Só de pensar nisso muita gente se arrepia, quanta vezes me peguei pensando que um dia morreria e tudo seria findado, o fim estava no ato da morte, não teve religião que  me desse consolo e lá estava eu me preocupando com um problema que ainda estava por ocorrer, isso me incomodava nem tanto pela questão da morte em si, mas mais pelas explicações dadas para ela e para a questão da alma, para mim, todas sem racionalidade nenhuma.

O meu medo advinha, da não compreensão daquilo que eu julgava sobrenatural, da incredulidade na existência da tal alma, isso porque não tinha em meu alcance argumentos racionais suficientes. Nesse instante eis que surge Platão e pela primeira vez eu deixo de crer para compreender e a compreensão me permite falar agora a vocês sobre a questão da alma, uma visão minha, talvez uma péssima interpretação do Fédon. No entanto, é uma tentativa racional de explicar aquilo que a maioria das pessoas atribuem ao sobrenatural.

Através de argumentos racionais Platão explica que a alma não morre com o corpo, fica aqui o desafio: leiam Fédon e me digam se podemos concordar ou não com Platão.

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