O fascínio do homem pelo movimento


Muito antes do fenacistoscópio ser inventado em 1829 por Joseph Antoine Ferdinand Plateau criando a ilusão de uma imagem em movimento, o ser humano já se admirava e o fascinava a perspectiva do movimento. O homem nasceu nessa perspectiva e ela o deixou confuso, angustiado, em um universo em que tudo se movimenta, buscou refúgio no constante, no imutável, no imóvel, criou a idéia de essência, daquilo que permanece, e isto foi durante muito tempo a bandeira dos filósofos.


A necessidade de compreender o movimento ultrapassou a filosofia e a ciência e impregnou a arte, com o surgimento do cinema nos fins do século XIX modificou-se a maneira de vermos o mundo, agora o movimento podia ser apreendido, repetido, um passado que tornava-se constante, um movimento preso no tempo que não mais se esvaziava na ação.

As "histórias ganharam vida" com se já não a possuísse nas mentes dos homens a milhares de anos, nos mitos, nas lendas, nas pinturas, o movimento percorria o imaginário das pessoas e trazia do caos as primeiras impressões da luta contra o tempo, linear e soberano.
Pinturas em Lascaux
Pois o que é o movimento? Se não o oposto de uma idéia qualquer daquilo que é imutável. Ele exige uma coisa que move e uma coisa que é movida, um motor e um móvel. Pois qual é o motor da vida? Qual o primeiro motor?

As essas perguntas homens deram respostas diferentes, criaram princípios e até a idéia de deus. O que é deus se não aquele que move todas as coisas.

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus".
(João 1:1)

"É sábio escutar não a mim, mas ao Lógos que por mim fala e confessar que todas as coisas são Um."
(Heráclito de Éfeso)


Há uma recusa do homem em se identificar como movimento, um mar sem porto, tudo se esvai, é nessa recusa, na busca em superar o movimento que encontramos também o fascínio por aquilo que não é duradouro, a beleza das flores, o vôo dos pássaros, a vida efêmera, passageira e amedrontadora. O medo do homem talvez não seja o de morrer de encontrar enfim aquilo que permanece(?), talvez o medo maior consista em perder o movimento e com ele não haver mais sentido, pois é o movimento que trás a contradição, é a interrogação, o questionamento, o propulsor da vontade.

Viver é estar em movimento, é mover e ser movido. Os filósofos que me desculpem, mas o homem não busca a substância, isso não é a busca de qualquer coisa, eles buscam não parar de mover-se, talvez seja a vontade o motor e finalidade do movimento, a vontade de existir, pois não há vida sem movimento.

Fontes, referências e citações:

In Blíblia Sagrada. Corrigida e revisada. Almeida, 1994.

In CHAUÍ, M. Introdução à História da Filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1994.

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