Mito e Significado


Me atrevo a utilizar o título do livro de Claude Lévi Strauss para dar nome ao meu pequeno texto, isso porque, foi este mesmo livro que me deu uma outra visão sobre o mito.

Durante muito tempo entendi o mito como a maioria das pessoas o entendem, como uma mentira, uma invenção, foi preciso uma graduação em História para compreender a dimensão da palavra mito.

No entanto compreendi a riqueza do mito mas a visão preconceituosa ainda permanecia, um tempo anti-histórico, uma cultura folclórica, uma fonte sem confiança alguma, isso que era o mito para mim.

Sempre fui um apaixonado por história antiga e a minha relação com a mitologia foi muito freqüente, principalmente com mitologia grega, no entanto a curiosidade e minha visão acadêmica me impediam de ver além do mito na historiografia.

Comecei a cursar Filosofia, achei que era a luz no fim do túnel que eu precisava, não era. Encontrei uma filosofia dogmática e que tratava o mito como o oposto ao pensamento racional, o mito estava mais marginalizado na filosofia do que na história, achei que era o fim, no entanto algo me incomodava à cerca das idéias predominantes no meio acadêmico e até as meus próprios pensamentos estavam desajustados.

Foi nesse momento que me deparei com o livro "Mito e Significado" do Claude Lévi Strauss, aí sim entendi o porquê fica mais fácil para as pessoas defenderem uma posição dogmática, pois só é necessário reproduzir informações e ou mesmo negar novas opiniões sem nada acrescentar, foi isso que vi na História com revisões bibliográficas e interpretações sem postura cientifica nenhuma que se aproximavam muito de pura especulação literária, foi isso também que vi na filosofia com a negação do mito no pensamento filosófico.

O mito não é uma mentira, pois na sociedade em que ele está inserido é mais verdadeiro que qualquer outra coisa, não estamos falando de verdades filosóficas, porque o mito é particular e se a filosofia trata do universal realmente à ela não compete esse campo. Não podemos negar a função do mito de inserir um primeiro entendimento do mundo ao homem, nem que essa função explicativa deu uma ilusão necessária a nós que é a compreensão da totalidade, uma ambição que fez o homem progredir em vários aspectos, inclusive no cientifico.

O mito é mais humano que a razão, falo isso com o risco de ser crucificado pelos meus amigos filósofos, mas falo porque é isso que podemos perceber, o mito envolve os medos, paixões, amores e desejos do homem, tudo em uma narrativa apaziguadora e, eu seria muito ingênuo se afirmasse aqui que a humanidade tem sido guiada pela razão em toda a sua trajetória histórica.

Afirmo sim que a filosofia desde suas origens foi elitista desde o período clássico, o século das luzes, até a contemporaneidade, fala-se de sociedade racional sem atentar para a realidade, já que filosofia trata do universal deveria atentar a ela para como vive mergulhado o pensamento da maioria das pessoas, que razão há no mundo hoje, que esclarecimento superou o mito?

O mito moderno hoje é disfarçado de cientificismo e acompanha par-a-par a tecnologia, não tem mais uma função pedagógica e muito menos a explicativa da realidade, ele já não é mais particular a medida que se propaga pelos canais de comunicação e não diz respeito a uma cultura em específico, o mito hoje é o de compreensão pela razão daquilo que ela não pode dar conta.

2 comentários:

anônimo disse...

Parabéns pelo texto!

Eric disse...

Muito bom!

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