5 Filmes para falar de Filosofia

Alguns filmes não são bons só pela ação, pela história, pela trilha sonora, muitos deles trazem implícitos um fundo filosófico e é a partir deles que podemos compreeder a realidade em que vivemos, curioso não? O que é fictício auxiliando na compreensão do que é real! Veja cinco filmes abaixo que tem esse poder.


À Procura da Felicidade (virtude - felicidade)


 

 Sinopse: O vendedor Christopher Gardner (Will Smith) foi abandonado pela mulher e vem passado por problemas financeiros. Agora, terá que cuidar do seu filho de cinco anos enquanto tenta se recompor na vida profissional.




A felicidade

"A felicidade não consiste nos rebanhos e tampouco no ouro: a alma é a morada de nossa sorte."
(Demócrito)



Afinal o que é a felicidade? Palavra que atualmente parece tão supérflua e sem sentido. Para Realle (1999) a felicidade deixou o plano espiritual e retrocedeu ao plano material e físico, em outras palavras, o homem substituiu o sentido virtuoso da felicidade por um bem-estar material, a felicidade confundiu-se com o desfrutar de tudo o que for possível de bens materiais envolvendo o maior número de pessoas.

Mas será que a felicidade está mesmo no materialismo, será que ainda ela existe ou foi uma criação antiga da humanidade para suprir uma carência espiritual?


Gattaca - A Experiência Genética (Ética)


  Sinopse: No futuro, a Gattaca é uma empresa que faz viagens espaciais. Nesse mesmo futuro, o DNA das pessoas é analisado para determinar toda a vida da pessoa a partir do seu nascimento, como por exemplo, quais doenças elas virão a ter. Vincent Freeman (Ethan Hawke) nasceu com um problema no coração que o fez perder quaisquer chances de viajar no espaço. Ele, então, resolve assumir a identidade de um atleta saudável para tentar enganar a Gattaca e realizar seu sonho.




"Conhece-te a ti mesmo"

O tema da Ética são os atos do ser humano, enquanto ser possuidor de razão. Os atos que são livres e, enquanto tais, "corretos" ou "incorretos", "justos" ou "injustos", de um modo mais simples, "bons" ou "maus".

E se portanto, a Ética estuda o Bem e, assim, o seu objetivo é a virtude na condução da vida, nada mais sábias que e as palavras de Sócrates "Conhece-te a ti mesmo" pois é o indivíduo que no decorrer de sua existência escolherá o que virá a ser e suas atitudes influenciarão também a sociedade em que vive.

Os termos Ética e Moral são por vezes usados indistintamente, sendo mesmo equivalentes em numerosos textos. Tal indistinção apoia-se na identificação do significado etimológico das duas palavras -- da Ética dos gregos (particularmente na segunda das versões referidas) e do vocábulo latino mos (costume/hábito). A distinção, no entanto, pode fazer-se referindo a moral à prática concreta dos homens enquanto membros de uma dada sociedade, com condicionalismos diversos e específicos -- enquanto a ética é a reflexão sobre essas práticas. De fato, a existência de ideias e atitudes morais não implica a presença de uma disciplina filosófica específica (mesmo o seu estudo, que pode ser ocupação da Sociologia ou da Antropologia). A Ética supõe a sua justificação filosófica, a sua explicação racional, a sua fundamentação (independentemente de esta ser extra-moral: uma Ética cristã, por exemplo, fundamentar-se-á na existência de um ser transcendente, indicando a salvação como sua finalidade).



Matrix (Mito e filosofia)


 
Sinopse: Ficção Científica de ação que reinventou vários conceitos no gênero no final dos anos 90. Fala sobre o domínio das máquinas sobre os homens. Um grupo liderado por Morpheus está atrás do "One" - o escolhido - que, diz a profecia, libertará a raça humana dessas máquinas.





O que realmente nós conhecemos?

A experiência do conhecimento sensível pode nos enganar, não procurar o verdadeiro conhecimento, questionar as coisas é viver aprisionado, para explicar a relação entre conhecimento, verdade e conhecimento, Platão se utiliza do mito, abaixo explicado por Marilena Chauí, esta mesma conotação esta implícita no filme Matrix.

O mito da caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. 

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. 

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. 

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna. 

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria. 

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. 

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade. 

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.



O Enigma de Kaspar Hauser (Teoria do conhecimento)


 
Sinopse: Kaspar Hauser é um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular. Baseado em uma história real.




O homem natural

“Ninguém jamais pôs tanto engenho em querer nos converter em animais.”
(Voltaire)

Na citação acima Voltaire satiriza Rousseau por este afirmar que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe concluindo que o homem primitivo era bom porque era natural. No entanto, qual é a posição mais correta sobre o homem? A de Voltaire ou a de Rousseau?



Um Sonho de Liberdade (Liberdade em Sartre)





 Sinopse: Andy Dufresne tem sua vida mudada quando acaba na prisão por ter assassinado sua esposa. Detalhe: ele é inocente. Na prisão ele acaba virando amigo de Red, e deve utilizar sua habilidade nos negócios para sobreviver em um ambiente hostil e suportar as injustiças.




A Liberdade em Sartre

“O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.”
(Jean-Paul Sartre)

Para Sartre a liberdade enquanto definição do homem nunca vai depender dos outros, mas, como existe o engajamento que decorre da escolha dos outros, ele é forçado a querer sua liberdade e a dos outros. E isto fecha o conceito sem contradição uma vez que o homem é livre mas há aqueles que escolheram antes, e determinaram escolhas necessárias para os que irão escolher depois. Então a liberdade vai sempre depender da liberdade dos outros.


Referências:

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

REALE, Giovanni. O saber dos antigos - terapia para os tempos atuais. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

Rousseau: SOUZA, Agnes Cruz de. A arte da Filosofia, Literatura e Educação - Disponível em http://www.unicamp.br/~jmarques/cursos/rousseau2001/acs.htm

http://www.mundodosfilosofos.com.br
http://ocanto.esenviseu.net
http://www.webartigos.com
http://www.cineplayers.com

Filmes:

8 comentários:

Marcio disse...

Parabés pelo post! não sabia que Matrix tinha a ver com o mito da caverna, adoro esse filme nem acredito que já tem mais de 10 anos!

Um abraço. Márcio

Luxis disse...

Forrest Gump....

não poderia ter faltado nessa porra hein!

AH E OUTRO! MAIS AFU AINDA:

Encontro Marcado!!!! (Meet Joe Black) aaah não fode kra... huahau sem esses dois não tem conversa...

Célio Roberto Pereira disse...

Realmente escolhi 5 entre muitos que poderíamos citar, faltou até os clássicos como O Mercador de Veneza... quem sabe em um próximo post...

Juh verde disse...

legal =)

Anônimo disse...

òtima lista!

abraços

Anônimo disse...

Boa lista. Existe um filme chamado Waking Life que fala de vertentes de filosofia. É de animação.

Seria uma boa ideia falar sobre outros filmes.

Também queria uns erros que achei em seu texto:

No 1º parágrafo está escrito "eles trazem implícitos um fundo 'filófico'"

E no parágrafo falando de Matrix
"O que realmente nós conhecemos?

A experiência do conhecimento sensível pode nos enganar pode nos enganar,"

O "pode nos enganar" está repetido.

Célio Roberto Pereira disse...

Post corrigido. Thanks!

Joicinha disse...

Olá Célio!!

Da lista, eu já assisti três, e sem sombra de dúvidas o filme " A procura da felicidade" foi o que mais me chamou atenção. Primeiro pelo contexto em si, por basear-se em uma história real. Segundo- Lidar com os baques da vida!! O que é a felicidade?
Terceiro: O dinheiro trás realmente uma vida feliz?!

Mas claro o destacou-se mais no filme foi o "Amor de pai", os percalços, a determinação fazem dele um filme realmente digno da indicação do Oscar.

Gostei da listagem e já anotei os dois filmes que não assisti.

bjs

Joicinha

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