Gramsci e os intelectuais


O campo social é um campo que interessa a muitos, é claro que cada um enxerga na sociedade o interesse que lhe convém.

O primeiro interesse que tive quando me vi como ser social foi o de me projetar nessa pirâmide maluca que chamamos de sociedade, pensei quais eram as formas de ascender socialmente, logo percebi que a tarefa pela qual chamava meu interesse não era nada fácil, mas eu estava saindo do Ensino Médio e tinha a minha vida inteira pela frente, era ambicioso e um tanto egoísta. Procurei rapidamente entender os mecanismos que regiam a sociedade para que pudesse controlá-los e assim, cheguei no campo da história, me apaixonei pela história antiga e por muito tempo ela controlou minhas vontades acadêmicas, inclusive a de ascensão social que lentamente foi substituída pela necessidade de reconhecimento, passei a curso inteiro de graduação com minhocas na cabeça que haviam se juntado das inúmeras teorias sociais que havia lido, eram só minhocas, ainda faltava juntá-las em um terreno fértil.

A oportunidade veio em minha segunda faculdade, onde a filosofia me obrigou a descer do pedestal acadêmico que os historiadores haviam me colocado e me obrigou a ver as coisas aqui de baixo, mas os meus olhos não eram da filosofia ou da história, eram da sociologia, eram os olhos de Grasmci.

A crise de paradigmas que foi causada pela filosofia me obrigou a buscar uma solução, a organizar o pensamento, busquei referenciais que a filosofia não pode me dar e os quais a história nem passou perto de me indicar, foi em Gramsci que consegui compreender a realidade social em que eu estava inserido, Ah, que ideia boa essa de que todos os homens são um pouco intelectuais, depois disso eu nunca mais desprezei a opinião de ninguém e rapidamente compreendi que o esforço que tinha feito para entender a sociedade e me promover não tinha sido em vão, realmente não havia conseguido o que a priori tinha almejado, mas isso já não importava pois agora conseguia ver as coisas com a clareza que outrem não tinha, eu havia me tornado um intelectual orgânico, desses que aos poucos tenta mobilizar a sua classe, o seu grupo social, mas, por muito pouco não fui cooptado pela tradição elitista e acadêmica que com falsas promessas do novo rapidamente se transformam em pessoas engessadas pela cultura elitista.

Quando a necessidade de compreender o mundo bate a porta de um homem ele procura referencias, quanto mais esse homem procura mais rapidamente ele vai perceber que nem seu pai, nem seu vinho, nem o padre e muito menos o seu patrão vão lhe dar respostas, as palavras doces que estes homens a pouco proferiam agora agridem os ouvidos e parecem mais contraditórias que nunca. Gramsci não é Deus, não é profeta e nem prometeu libertar ninguém, no entanto fez pelos homens o que muito poucos fizeram, compartilhou sua visão de mundo e abriu as portas para que quisesse se enxergar como sujeito social.

Sei que um dia provavelmente abandonarei as teorias de Gramsci, mas por enquanto ele está a anos luz na frente de qualquer conselheiro de boteco que a juventude hoje tem como referencial.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário