Se o Admirável Mundo Velho te incomoda você ainda não é um vegetal que fala!


Uma sociedade sem ética e valores morais, sem o conceito de família, onde os indivíduos podem se livrar da dúvida e da insegurança tomando uma droga sem efeitos colaterais, esse foi o mundo do futuro que Aldous Huxley criou em seu livro Admirável Mundo Novo no qual as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viver em harmonia além de manter "exemplares" de civilizações consideradas selvagens assim como as falsas políticas culturais fazem com os índios atualmente.

O personagem Bernard Marx insatisfeito neste novo mundo entra em contato com os chamados selvagens e essa aproximação o faz questionar a suposta felicidade alcançada pela sua sociedade.

Hoje não somos condicionados biologicamente para viver em harmonia, mas a parte do livro de Huxley que fala da condição psicológica está muito perto da nossa realidade, não temos um remédio que cure instantaneamente nossas angústias mas a televisão cumpre bem esse papel criando um distanciamento entre as diversas realidades que na verdade não existe, somos condiciados a nos conformar, nos distrair e tratar os fatos violentos que ocorrem na nossa sociedade como se fizessem parte de outro mundo, as coisas ruins que vemos na TV parece atingir somente os outros, as ouvimos no jornal mas rapidamente esquecemos pois logo após começa a novela, o futebol.

A figura do "outro" na nossa sociedade é o selvagem do livro de Huxley, o pobre, o marginalizado, o sem terra, são exemplos a não serem seguidos, tem de ser superados.
Só nos damos conta de que nós mesmos criamos esses exemplos quando o contato com esse velho mundo que deve ser superado é direto: preocupando-se com a violência só quando a sua casa for assaltada, algum parente assassinado; preocupando-se com a questão agrária somente quando o preço dos alimentos estiver insustentável, preocupando-se com a desigualdade social semente quando os mendigos acostumarem a dormir na calçada em frente a sua casa!

deixamos a realidade de lado e criamos um mundo só nosso, dentro de nossa casa, é cômodo, pois como diz a música de Zé Ramalho: "Lá fora faz um tempo confortável /
A vigilância cuida do normal".

Só quem faz parte do velho mundo pode querer mudar esse admirável mundo novo que está aí, as pessoas que conseguem ver muito mais além de sua realidade imediata fogem de condicionantes, não cruzam os braços e principalmente dizem não a ideia hipócrita de que neste mundo tem lugar para todos e os que não se encaixaram foi porque não quiseram.

Se todos enxergassem além do próprio umbigo a terra seria o céu e o pobre não precisaria apelar para Deus.

Ouça a música do Zé Ramalho e veja se você consegue notar alguma semelhança com as ideias de
Huxley:

Admirável Gado Novo


Veja onde encontrar:






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