A liberdade: o tormento da humanidade

Então, contava um amigo meu tempos atrás na faculdade, o como era bom as tardes que ele passava jogando bola com os amigos, sem saber o que era capitalismo, globalização, metafísica e muitas outras palavras que ele só teve contato ao entrar no ensino universitário, ao relatar suas tardes ele indagou: - será que eu não era mais feliz naquela época?

Hoje eu faço a mim mesmo essa pergunta, para que serve a minha autonomia de esclarecimento? Algo em mim diz que é algo bom, mas tudo ao redor depõe contra. Não seria eu mais feliz se não fosse esclarecido? vivesse a minha vida e não soubesse como o mundo funciona?

As pessoas vão para casa depois do trabalho e suas preocupações são simplórias, pensam nas contas a pagar, na educação dos filhos, onde vão no domingo e com que roupa, se vão ou não na igreja ou em uma festa. Nunca pensam além disso, a maioria não tentará fazer algo que atinja mais que própria família, único símbolo de coletividade solidária que conhecem. Mas não é que eu não tenha essas preocupações, porém elas sempre vem acompanhadas de outras que abrangem uma esfera muito maior, ao tomar uma decisão sempre me ocorre a cadeia de eventos a originou e as pessoas que com ela posso afetar.

A liberdade de pensamento não é um prêmio, muita gente prefere não adquiri-la, nem mesmo saber que ela existe, quem conhece a liberdade sabe que a caverna de Platão parece ser mais confortável, no entanto ninguém quer voltar à ela, como nos diz Kant, atingir a maioridade (de pensamento) é um tarefa árdua e nem sempre recompensadora. Buscar a liberdade, ver o mundo lá de cima e descobrir algo nefasto: que você é livre somente nas ideias, é neste ponto que entendo Platão ao dizer que que a verdade está no mundo delas.

Além de descobrir que a liberdade é a maior das abstrações a gente acaba descobrindo que os pensamento humano não tem limites, nem cotas, você nunca mais se preocupará somente com seus problemas, tudo vai te incomodar, ao acordar pela manha até a hora de dormir e às vezes até nos sonhos vocês estará ansioso por respostas, muita gente vai buscar nas igrejas ou na universidade, mas elas não estão nesses lugares, estão lá fora e são só suas, porque para cada indivíduo há uma resposta diferente, não há discurso que se iguale, por mais que a filosofia diga o contrário, ela terá que me provar ou talvez eu tenha que descobrir, não sei, só sei que a liberdade que ela me proporciona é sinônimo de dor, de angústia, solidão, tomei a pílula vermelha e perdi a voz, nem mesmo na academia posso escrever livremente, quem sabe após meu doutorado... Mas até lá que bom que existe meu blog onde eu posso escrever sem medo, sem culpa e ainda com a velha esperança que a palavra liberdade soe mais amena e menos solitária em meus pensamentos.

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