Onde você mora?


Algumas coisas são curiosas, chegam a ser até bizarras, uma dessas coisas por exemplo é perceber que você mora em um cidade considerada pequena e que a maioria das pessoas dizem se conhecer, é dessa cidade mesmo que você está imaginando, provinciana, que ao iniciar um conversa com algum desconhecido o diálogo só prossegue depois de você dizer teu sobrenome e quem são teus pais. Então, nessas cidades desse porte, o curioso é que as pessoas pouco se conhecem, as realidades não se cruzam, quem mora no centro não tem ideia do que se passa na periferia e acha que determinadas coisas só acontecem em cidade grande, quem mora na periferia não se identifica com o lugar onde reside, quer sempre estar em outro, o bairro não se vê como uma unidade, aliás a as pessoas não se identificam nem com a própria cidade, a uma preocupação que vezes é individual, vezes é corporativista mas também funciona no sistema de apadrinhamento. A pouca ocupação com o coletivo e o que é de domínio público retrata o interesse de uma elite, a população vê o Estado mais como um padrinho do que como uma estrutura política na qual ela também faz parte. Não há debate, ninguém faz uma crítica construtiva, as pessoas opinam na mídia escrita sem a mínima responsabilidade, nos jornais há uma guerrilha política de papel, ninguém dá a cara para bater, olhando nesse ponto de vista percebi quando li um dia na minha graduação que a história política já era passado, tive a certeza que o autor dessa afirmação não conheceu minha cidade, onde tudo gira em torno do jogo político. Uma cidade que tem um potencial acadêmico muito forte, pena que os debates que se constroem fervorosamente nas salas de aula não chegam ao grande público, há muitas conjecturas, discursos, porém pouca prática, as pessoas se amedrontam e se escondem no ambiente acadêmico, seguro e quase livre de críticas externas, construí meu pensamento assim, percebi o mundo de uma forma diferente porém, só esta percepção não basta, não vale a pena construir uma cidade de discursos, é preciso trabalhar em cima das experiências e das críticas. Quando se convive com pessoas de classes sociais e ideias diferentes não é demorado o processo de perceber múltiplas realidades em que poucos pensam, muitos trabalham e muitos outros só sugam o que a cidade tem a oferecer e depois vão embora, parasitas que lá fora chamam nossa cidade de "terrinha". Esse é o retrato do meu lar, sempre saudoso de seu passado glorioso porém com poucas esperanças no futuro, é a partir desse retrato que quero com a colaboração de amigos e pessoas que realmente se importem com a cidade, construir um lugar melhor de se viver, ao menos um lugar onde as pessoas discutem sua própria realidade. Se você acha que esta cidade não é assim, me prove! Porque eu tentarei mostrar a todos como é a nossa Porto União em todos os seus aspectos.

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